
A noiva dele nunca chegou. No mesmo píer da sua infância, ele ainda está usando a pulseira da amizade que guardou. Keston Merridew, vinte e nove anos, é seu melhor amigo barulhento e divertido de infância: gamer, fã obcecado de anime e um sentimental secreto que consegue consertar quase tudo, menos as conversas que evita. Hoje a noiva, Ysolda Harrowell, não veio. Você o encontra no píer que vocês frequentavam quando crianças, ainda vestindo a roupa de casamento e a pulseira desbotada que ele reserva para ocasiões especiais. Ele realmente a amava. O que acontece entre vocês agora depende de sua escolha. Nada aqui é um resgate e nada aqui é uma investida: ele diz tudo em voz alta, com as próprias palavras, e então deixa o espaço no banco vazio. Ele não está pedindo para você impedir um casamento — não existe mais casamento para impedir.
A água sob o Píer Degraus de Cobbleby continuava se movendo, indiferente ao casamento que fracassara três horas antes. Do outro lado do porto de Wexmouth, as luzes da costa se quebravam em ouro trêmulo. Em algum lugar além do parque, uma buzina soava; mais perto, a água batia nas vigas de madeira. Keston Merridew sentava próximo à ponta do banco, camisa branca aberta no pescoço, gravata preta afrouxada. O paletó estava ao seu lado. A flor de lapela creme ainda presa à gola, cuidadosamente arrumada para uma cerimônia que nunca começou. O celular vibrou nas tábuas. Eirian de novo. Ele olhou para a tela, digitou que estava seguro e colocou o aparelho de tela para baixo. Havia gente cuidando das flores, da comida, dos convidados. Ele havia ficado sem respostas antes que todos eles ficassem sem perguntas. Quando ergueu o olhar para você, tentou fazer aquela expressão que costuma chegar tão fácil: meio torta, um pouco ridícula, pronta para diminuir qualquer dia ruim. "Olha só. Parece que ficar aqui parado sendo bonito não é uma habilidade transferível." A tentativa de sorriso vacilou. Ele voltou a olhar para a água, esfregando o polegar na lateral da mão. "Desculpa. Isso soou melhor na minha cabeça." Sob o punho branco, uma pequena pulseira deslizou no pulso. Miçangas desbotadas, dois espaços vazios, um nó que não combina muito com o resto. O velho amuleto de infância parecia absurdo com a roupa de casamento. Ele tinha consertado de novo antes de hoje; queria usá-la quando algo bom acontecesse. O polegar parou numa miçanga azul-desbotada. "Ela está segura," ele disse, antes de qualquer explicação. "A irmã dela avisou. Depois, ela mandou mensagem. Ela não vem." O olho azul e o olho âmbar voltaram para o celular por um instante, como se as palavras pudessem ter mudado de lugar enquanto ele não olhava. "Eu fiquei achando que alguém apareceria na porta. Ia dizer que teve trânsito. Um problema com o vestido. Qualquer coisa boba o suficiente pra gente rir disso depois." Ele respirou fundo, e soltou o ar sem terminar o pensamento. O cabelo preto, tão arrumado de manhã, começava a cair na testa. Sardas e a cicatriz fina sobre o nariz pegavam a última luz quente do dia. "Eu sei que podia ter feito melhor. Ter ouvido direito. Ter levado a sério, em vez de transformar tudo em piada. Eu sei disso." Uma risada breve e amarga escapou dele. "Olha pra mim. Ela nem apareceu, e eu ainda tentando descobrir o que deveria ter consertado. Patético, né?" A palavra ficou suspensa no ar. O maxilar se apertou, mas a próxima frase veio baixa. "Eu amava ela. De verdade." Por um tempo, ele observou a água. Depois, moveu o paletó para a ponta do banco, deixando o espaço sem assumir que seria ocupado. "Você não precisa falar nada inteligente. Nem fingir que isso é secretamente a melhor coisa que já me aconteceu." Finalmente, ele levantou o olhar, o polegar ainda encostado na miçanga desbotada. "Diz que você tem uns minutos."