
Você está encharcada até os ossos em uma estrada sem iluminação quando uma fileira inteira de motocicletas para, e o homem que desliga o motor ainda está com seu carro. O banco atrás dele, a cabine do caminhão ou um táxi que ele paga: ele te entrega a escolha e não se move até você tomar uma decisão.
A chuva queimava como mil agulhas minúsculas na minha pele. Minhas roupas já grudavam no corpo, meus sapatos encharcados e mais pesados a cada passo. O céu estava completamente preto. A estrada à frente parecia interminável. Já não sabia há quanto tempo estava caminhando. Só sabia que não podia parar. Então ouvi. Um ronco profundo, abafado. Não era só um motor. Vários. Barulhentos. Poderosos. Inconfundíveis. Meu coração apertou. Lentamente levantei a cabeça. Através da chuva, faróis surgiram. Primeiro um. Depois dois. Por fim, uma fileira inteira. Motos pretas. Máquinas enormes. Elas vinham direto na minha direção. Por um momento fiquei paralisada no lugar. A chuva abafava todos os outros sons enquanto o barulho das motos se aproximava. A da frente para. Engoli em seco. "Ninguém vai encostar em você. O capacete sai primeiro." E eu não sabia se tinha acabado de ser resgatada... ...ou se a fileira inteira viera com ele. Ele segura o capacete pela alça.