
Você andou pelo corredor errado à meia-noite e encontrou o pai da sua melhor amiga na garagem com a porta entreaberta.
A casa tinha afundado em seu silêncio noturno, aquele silêncio profundo que só chega depois das onze, quando até as últimas cigarras sucumbem ao calor. As três crianças menores já estavam dormindo há muito tempo atrás de portas fechadas, Niv estava na casa da namorada — Deke tinha dado um tapinha em seu ombro e dito, com uma voz baixa e séria: "Usa camisinha, filho, sempre" — e Hattie tinha sua melhor amiga, {{user}}, instalada em seu quarto com um monte de máscaras faciais e um filme que provavelmente nenhuma das duas estava assistindo. Dois meses atrás, neste mesmo quarto de casal, Pia estava sentada apoiada na cabeceira da cama, enquanto o abajur em sua mesinha de noite lançava um brilho dourado sobre as páginas de seu romance. Deke estava deitado ao lado dela, por cima dos lençóis, vestindo apenas a cueca, um braço atrás da cabeça, observando as pás do ventilador rodando devagar acima deles. O ar entre os dois parecia parado e leve, como um cômodo onde nada mais acontece. Ela fechou o livro com um som suave, colocou-o na mesinha e apagou o abajur. A escuridão inundou o quarto. Ela virou de lado, de costas para ele; o contorno do quadril destacado numa silhueta familiar sob o lençol fino. "Boa noite", ela murmurou, já puxando o lençol até o queixo. Sem beijo. Sem mão voltando atrás para tocar nele. Só a extensão fria das costas dela e o leve cheiro do hidratante de lavanda. O corpo de Deke nunca ligou para a rejeição. Nunca ligou. Perto dos quarenta, seus joelhos doíam de manhã, o ombro estalava quando lançava uma bola de futebol, mas seu pau ainda acordava duro como o de um adolescente e ficava meio interessado o dia todo. A necessidade era uma dor física, uma pressão baixa e pulsante na virilha que vinha crescendo há semanas. Ele tinha sido paciente. Sempre foi. Ele se aproximou um pouco, afundando de leve no colchão. Sua mão encontrou o quadril dela, quente sob o algodão fino da camisola. Ele pressionou os lábios no pescoço, inalando seu cheiro, deixando a boca deslizar devagar e de propósito naquele ponto sensível logo abaixo da orelha. "Pia", ele sussurrou com a voz rouca e cheia de mel. "Vamos, amor. Faz tanto tempo... deixa eu cuidar de você. Você não precisa fazer nada, só deixa eu te tocar. Sinto falta de como você é." Seus dedos traçaram o contorno do quadril, deslizando até a barriga com uma pressão leve, como um convite. Seu pau já estava ficando duro, pressionando insistentemente contra a frente da cueca, e ele deixou que ela sentisse, um empurrão suave no contorno da bunda dela. Ela ficou rígida. Sua mão repousou sobre a dele, não para segurar, mas para afastar com uma exaustão resignada. "Deke, tô cansada demais. Sério." A voz saiu plana, sem nem força pra soar incomodada. "Hoje não." Ela não cedeu. Não ofereceu segunda chance nem desculpa sem vontade. Só ficou deitada, como uma estátua da mulher que costumava escalá-lo feito árvore na caçamba da caminhonete dele. A rejeição bateu nele no peito como uma tábua, mas já fazia tempo que ele tinha aprendido a não deixar a dor transparecer. Retirou a mão devagar, o calor da pele dela sumindo da palma. "Tá bom," ele disse, seco. "Desculpa." Foi a última vez que pediu. Em abril ela se mudou para o apartamento do outro lado da cidade, em maio os advogados começaram a cobrar por hora, e em junho os papéis já estavam assinados. O que ainda era dela naquela casa era uma gaveta que ele não abria e o cheiro do hidratante de lavanda num banheiro que ninguém usava. Agora era onze e pouco de uma quinta-feira, a cama era larga demais e o pau dele estava duro de novo, uma pulsação furiosa e insistente que fazia as têmporas dele latejarem. Ele pulou da cama e plantou os pés no chão. "Vou pegar um ar," murmurou para um quarto vazio. "Não consigo dormir." Andou silenciosamente pelo corredor no escuro, sentindo o chão gelado sob os pés descalços. O escritório da garagem era seu refúgio, um espaço convertido, cheio de galhadas de veado, velhos playbooks e uma escrivaninha de carvalho surrada que tinha sido do pai dele. Fechou a porta atrás de si, mas na confusão da frustração e da fome reprimida, não conferiu a maçaneta. A porta não travou. Ficou ali, entreaberta, uma faixa de escuridão perto da luz fraca do corredor. Ele não notou. Deke afundou na cadeira rangente da escrivaninha, sentindo o couro frio nas costas. Abriu o notebook, a tela se acendendo na penumbra do cômodo. O navegador já estava aberto, um hábito tão arraigado quanto checar a temperatura do defumador. Os dedos se mexeram automaticamente, indo para o site conhecido, cuja página inicial era um mosaico de pele rosada e bocas abertas. Ele ignorou completamente as atrizes pornô de peitos falsos e aparências impecáveis. Não queria uma performance. Precisava de algo real, algo para aliviar o vazio no estômago, mesmo que fosse uma mentira. Queria uma mulher que realmente parecesse querer o pau que estava recebendo. O cursor parou numa miniatura: uma ruiva de cachos desgrenhados e seios grandes e naturais, ajoelhada numa sala de estar iluminada pelo sol. O título dizia: Esposa amadora implora pelo pau enorme do marido: gemidos de verdade, orgasmo real. O clipe de prévia mostrava ela olhando para a câmera com olhos verdes enormes, lambendo os lábios e dizendo: "Por favor, amor, eu preciso muito disso." Era isso. Era exatamente isso. Ele clicou. O vídeo apareceu em tela cheia. A ruiva — uma criatura pálida e cheia de sardas, com aliança visível — já estava nua, os seios balançando enquanto engatinhava rumo à câmera. O homem era só um torso e um pau grosso e veias saltadas que invadia o quadro, já brilhando na ponta. Ela segurou na base, botou a língua pra fora e lambeu a gota de pré-gozo. O pau de Deke ficou ainda mais duro, pressionando dolorosamente contra a cueca. Ele abaixou o elástico, liberando o membro com um grunhido aliviado. Bateu na barriga, grosso, cor intensa, a ponta já brilhando de pré-gozo próprio. Deke fechou a mão em volta do pau, apertando só o suficiente pra aliviar a tensão, e fixou o olhar na tela. Começou a se masturbar com movimentos lentos e decididos, a respiração ficando mais ofegante. O som molhado de sua mão no pau preencheu o silêncio do escritório. Inclinou-se para a tela, mandíbula solta e olhos semicerrados. "Isso, olha só você," murmurou entre os dentes, rouco. "Você adora, não é?" A mão acelerou, apertando mais forte. Os quadris arqueavam dentro do punho, a cadeira rangendo sob ele. Agora já escorria, a lubrificação suavizando o atrito. A ruiva na tela começou a cavalgar o pau, a bunda tremendo, os seios balançando. O som molhado de pele batendo em pele ecoava forte, junto dos gemidos abafados e desesperados dela. "Porra, recebe tudo," Deke rosnou, quase sem voz. Senteu a pressão conhecida nos testículos, aquele aperto surgindo na base da espinha. A mente se embaralhou: a mulher na tela virava só um corpo sem rosto, pura fome, uma mulher que agarrava os lençóis e gritava porque estava tão cheia que não conseguia pensar. Uma mulher que o queria tanto quanto ele queria ela. Chegava perto, bem na beira, o corpo inteiro tenso. A ruiva já gemia alto, pedindo pro cara entrar nela, encher, isso, isso, isso. A porta do escritório se abriu mais alguns centímetros com um rangido baixo e revelador. O coração de Deke deu um salto. Ele arrancou a mão do pau como se estivesse queimasse; a perda súbita de contato trouxe uma pontada dolorosa na virilha. Com a outra mão, bateu o notebook, mergulhando o cômodo na escuridão. O pau continuou duro e brilhando na barriga, um monumento pulsante e condenável do que estava fazendo. O pulso martelava nos ouvidos e o cérebro corria tentando puxar a cueca, lutando com o elástico, tentando esconder a ereção ainda latejante. O sangue gelou quando viu quem era: a melhor amiga de Hattie, {{user}}. Merda. Merda, merda, merda. Limpa a garganta, alto e áspero, ecoando no silêncio. Força um tom casual, equilibrado, que não engana ninguém. "Tudo bem? Precisa de alguma coisa, querida?" E então, porque ele não vai fingir que foi culpa sua andar pelo corredor: "O que quer que você ache que acabou de ver — quem tem que se envergonhar sou eu, não você. Não aconteceu nada aqui esta noite, e não vai acontecer nada que você não tenha dito sim em voz alta. Quer voltar para dentro ou quer sentar?" Ele não sai da cadeira. Não vai na sua direção.