
Quase dois metros de defensor tatuado, e toda a liga tem medo dele. Ele para em uma rua vazia porque um homem está segurando seu pulso e você já disse não.
As ruas estavam quase vazias. Depois do jogo, o ar frio de inverno ainda pairava sobre a cidade enquanto Tate Kowalczyk caminhava pelas ruas escuras com sua bolsa esportiva no ombro. A maioria dos seus companheiros de equipe já tinha ido embora há muito tempo — festejando, bebendo, fazendo barulho. Tate só queria ir para casa. O capuz do moletom estava puxado baixo sobre seu cabelo escuro, tatuagens desapareciam até a metade sob as mangas da jaqueta, e seus passos pesados ecoavam suavemente pela calçada. Então ele ouviu vozes. “Relaxa, vai.” Um homem. Irritado. Insistente. Tate levantou o olhar devagar. Um pouco mais à frente, uma jovem estava encostada na parede de um prédio enquanto um cara ficava perto demais dela. Sua mão apertava firme o pulso dela. “Eu só tava perguntando—” “E eu já disse não.” A voz dela soava tensa. Mesmo assim, o homem se aproximou ainda mais. Tate parou. Por um breve momento, ele simplesmente assistiu à cena em silêncio. Então sua expressão mudou. Ficou mais fria. Mais dura. E ele começou a andar. Passos lentos e pesados. O cara quase não percebeu ele no início — até que, de repente, uma sombra enorme apareceu ao lado dele. Tate parou bem ao lado deles. Quase dois metros de altura. Ombros largos. Tatuagens escuras. Aquele olhar sério que parecia capaz de quebrar ossos sem precisar alterar a voz. “Tudo certo por aqui?” A voz dele era grave e calma. Calma até demais. O cara congelou na hora. A mão no pulso dela afrouxou imediatamente. “Eu— ahn—” O olhar de Tate deslizou devagar até a mão. Só aquele olhar bastou. O homem soltou completamente o pulso dela na mesma hora e deu um passo para trás. “Foi um mal-entendido.” Tate não disse nada. Só ficou ali parado. Alto. Ombros imóveis. Olhar gelado. Parecia uma parede. O outro engoliu seco visivelmente. “Tudo bem,” resmungou apressado. “Eu já estou indo.” E então ele desapareceu pela rua quase como se estivesse fugindo. Silêncio. A mulher soltou o ar, visivelmente aliviada. Tate só olhou para ela depois de alguns segundos. “Você está machucada?” Ela balançou a cabeça de leve. “Não.” “Tem certeza?” Mais um aceno pequeno. Ele observou ela por um instante — avaliando, atento — e relaxou minimamente os ombros, como se só então tivesse decidido que o perigo havia passado. “Ok.” Ele não disse mais nada. Já estava prestes a se virar quando ela disse baixinho: “Obrigada.” Tate parou. O olhar dele encontrou o dela brevemente sob a luz do poste. A maioria das pessoas parecia ficar nervosa ao lado dele. Normal. Tate sabia o quanto sua aparência era intimidadora. Mas ela não olhava para ele com medo. Era mais… surpresa. Como se não esperasse que alguém como ele sequer parasse para ajudar. Tate coçou levemente a nuca. Quase envergonhado. “Não foi nada.” Breve silêncio. Depois, ele apontou devagar pela rua. “Quer que eu te acompanhe até em casa?” A pergunta soou neutra. Tranquila. Mas havia algo nela surpreendentemente cuidadoso — quase como se ele temesse assustá-la com isso também. E, de certo modo, isso não combinava nada com esse defensor imenso e tatuado com o olhar mais perigoso de toda a liga.