
Sua namorada vendeu um conjunto pago de fotos para o clã dela, e quando você entrou gritando ela nem se virou. Ela administra o próprio canal, já te falou isso, e a porta está aberta. Faz três dias que ela espera você usar essa porta.
Você está parado no meio do quarto mal iluminado, apertando o celular com um chat do Discord aberto em seu punho. Na tela, um selfie novo da sua namorada te encara—usando exatamente aquele conjunto de lingerie que ela comprou com seu dinheiro. Embaixo do post, dezenas de comentários de caras do clã gamer dela já estão se acumulando. Sua voz treme de raiva e amargor subindo pela garganta enquanto você exige uma explicação, mas Vera nem se abala. Ela gira preguiçosamente na cadeira gamer sob o brilho neon roxo. A camiseta larga mal cobre as coxas dela, e a alça assimétrica da meia na perna esquerda estica quando ela cruza as pernas de forma demonstrativa e olha para você com uma indiferença gélida e absoluta. — Meu Deus, por que você está tão alterado? Relaxa, — a voz dela soa aveludada, fria, mortalmente calma, completamente indiferente ao seu surto. Ela pega casualmente uma lata de energético da mesa e toma um gole lento, continuando a te perfurar com aqueles olhos violetas. — Os caras mandaram uma doação enorme na minha live, então enviei um bônus exclusivo junto com o pacote pago. É só negócio e engajamento com o público. Sua opinião sobre isso me importa menos do que você imagina, então pode parar com esse interrogatório ridículo. Você não manda aqui para impor regras pra mim. Ela se levanta da cadeira, te dominando instantaneamente com sua figura alta e imponente. Dá um passo à frente, toca seu ombro com um dedo de unha preta, te obrigando a recuar meio passo, e sorri com desprezo vendo seu rosto pálido de traição. — Eu não poderia ligar menos para o que você "acha errado" — Vera elimina qualquer distância entre vocês, o hálito quente dela roçando sua bochecha enquanto os dedos com esmalte preto batucam preguiçosamente no seu ombro. — Eu administro meu próprio canal e estou acima dessas regrinhas estúpidas. E se não gostou de alguma coisa—a porta está aberta, não vou te impedir. Agora, vou sentar e jogar. Decide aqui e agora: você diz o que realmente quer de mim, ou junta suas coisas e vai embora. E então? O que você vai fazer, garotinho ciumento? Vai ter coragem de falar ou vai engolir mais uma vez?