
Housing Services colocou você no pior dormitório do campus, e os quatro atletas que moram lá têm quatro horas para tornar o lugar habitável. O quarto de armazenamento é seu. A fechadura é sua. O que os quatro estão discutindo é qual deles vai carregar suas caixas.
O grave já estava pulsando às quatro da tarde. Rosendo estava no fogão sem camisa, correntes de ouro balançando, reduzindo uma cabeça inteira de alho a pasta enquanto a cozinha se enchia com o cheiro de óleo de pimenta queimando e da iminente grandeza. A playlist da festa dominava dois alto-falantes. Kellan vagava pelo local com uma caixa de bebidas, empilhando garrafas numa geladeira que não deveria comportar nada daquilo, usando uma camisa que claramente pegou do chão e julgou aceitável. “Mais gelo,” Rosendo gritou por cima da música, apontando a colher como um maestro. “Kellan. MÁS HIELO.” “Eu te ouvi nas quatro primeiras vezes, cara—” “ENTÃO ANDA, GRINGO.” A porta do 505 se abriu e Alfie entrou com dois sacos de gelo pendurados nos braços, franzindo a testa como se o gelo lhe devesse dinheiro. “Terceira viagem hoje. TERCEIRA. Minhas mãos estão ficando roxas. Pergunta pro Yevgeny, ele não tem nada melhor pra fazer do que me ver sofrer.” Do sofá, sem abrir os olhos, Yevgeny falou arrastado, “Da. Melhor show do campus.” “Dah,” Alfie imitou sem expressão. “Um dia vou descobrir o que você realmente fala e vai ser um insulto, aí você tá morto.” “Sempre é insulto.” “Tá vendo? TÁ VENDO?” Alfie resmungou, passando a mão no rosto. Kellan sentou no braço do sofá, rolando o celular, sorriso se abrindo devagar e perigoso. “Então. Festa hoje. Dizem que metade das líderes de torcida vem e—” O celular vibrou. Depois vibrou de novo. O sorriso vacilou, virando um olhar desconfiado. Ele leu uma vez. Leu de novo. “...Gente.” “Gente O QUÊ, estamos ocupados—” Rosendo gritou da cozinha. E-mail da Housing Services. Assunto: REALOCAÇÃO DE EMERGÊNCIA — QUARTO 505. Kellan leu em voz alta. Quarto de armazenamento. Liberado. Mobiliado. Quinto morador. Vigente imediatamente. Aluna. Chega hoje à noite. A música continuou tocando por exatamente mais três segundos antes de Rosendo desligar o fogão com a reverência de quem presencia um marco histórico. “O depósito. NOSSO depósito. Onde eu guardo minha boa—” “Sua cerveja vagabunda, a gente sabe—” Alfie murmurou. “—MINHA BOA CERVEJA, Alfie—” Rosendo retrucou, balançando a espátula pra ele. “Então deixa eu ver se entendi.” Alfie largou os sacos de gelo no balcão com um baque. “A faculdade perde as contas dos alunos igual contador bêbado, e a nossa punição é uma quinta pessoa? No QUINTO-0-CINCO? O quarto onde o alarme de incêndio tocou três vezes mês passado?” “Quatro vezes,” Yevgeny corrigiu suavemente. “QUATRO VEZES. E vão mandar ALGUÉM NOVO. Alguma coitada vai entrar aqui hoje à noite—” ele apontou para a pirâmide de cerveja, os copos vermelhos já organizados, os sapatos do Kellan invadindo o corredor, “—nisso aqui, e achar que foi morar num circo.” “Ela vai achar que mudou pra uma boate,” Kellan disse, encantado. “Ela vai achar que mudou pra uma CENA DE CRIME, seu completo—” Rosendo já estava agindo, jogando copos em uma sacola, arrancando o quadro dos placares da parede com as duas mãos. “Certo. bueno, bueno, bueno. Nosotros limpiamos. A gente limpa AGORA. Kellan, esconde o quadro. Yevgeny, abre a janela, tá cheirando a—” “A mim,” Yevgeny disse. “Sim, exatamente, tá cheirando a VOCÊ—” Por dentro, o estômago do Rosendo tinha despencado até os pés. Uma garota. No apartamento. Hoje. E se ela odiar cozinhar? E se ela for alérgica a alho? Literalmente mataria ele. Kellan estava fazendo as contas que jamais admitiria — quatro anos vendo o placar de um lado só e agora, pela primeira vez, ele realmente se importava com a opinião de alguém sobre o quarto. Que tragédia. Não estraga, Marle. E Alfie calculava mentalmente o tamanho do depósito pro colchão de solteiro — sem ventilação, parede de papel, poste de luz bem na janela. Ela ia congelar. Alguém teria que achar o edredom extra. Não ele. Alguém. ...Tá bom, ele. Yevgeny não disse nada. Levantou do sofá, uma geleira em movimento, pegou o celular do Kellan e leu o e-mail duas vezes na mesma voz plana e indecifrável. “Garota. Quarto cinco-zero-cinco.” Pausa. A fumaça girou pela janela entreaberta. “Nakonets-to chto-to interesnoye.” “O que é isso?” Kellan perguntou. O canto da boca de Yevgeny se moveu — um milímetro, um evento. “Finalmente... algo interessante.” A porta do depósito rangeu quando Alfie a chutou, poeira dançando na luz laranja do poste entrando pela janelinha. Prateleiras vazias. Um colchão solitário. Uma lâmpada pendurada. “Certo,” Alfie murmurou, mãos na cintura, já antecipando as próximas quatro horas. “Alguém ache um aspirador antes dela chegar, senão juro pela minha mãe—” Atrás dele, quatro homens se atropelavam. A festa começava às nove. Ela chegava às oito. Ninguém no Quinto 505 estava remotamente pronto — e alguém já tinha instalado uma nova fechadura na sua porta e deixado a chave no balcão da cozinha com seu nome na etiqueta.