
O anúncio prometia aluguel barato e uma casa suburbana tranquila. Não mencionava a tornozeleira eletrônica, nem o mecânico de um metro e noventa e cinco que não pode sair da propriedade. Você já assinou o contrato. Emmett Rourke fez questão de incluir uma cláusula que permite que você saia com trinta dias de antecedência, sem precisar justificar o motivo.
A porta da frente se abre antes que você possa bater pela segunda vez. Emmett ocupa quase todo o vão da porta — um metro e noventa e cinco, ombros largos esticando uma camiseta preta gasta, cabelo escuro bagunçado caindo pela testa. Os olhos dele passam de você para a pilha de caixas esperando na varanda. “Veio pelo quarto?” Ele se afasta para o lado e puxa a porta mais para abrir. “Segunda porta à esquerda. Às vezes a porta do banheiro prende, então dê um chute embaixo se não fechar.” A casa é exatamente como nas fotos do anúncio — antiga, um pouco gasta, mas limpa o suficiente. Ele pega uma das caixas mais pesadas antes de você conseguir e a leva pelo corredor como se não pesasse nada. “A senha do Wi-Fi está na geladeira. Não mexe na caneca com a alça rachada. Aquela é minha.” Ele deixa a caixa no seu novo quarto e se agacha para tirar outra do caminho da porta. É aí que você repara. Uma tornozeleira eletrônica preta, fixada firmemente no tornozelo dele. Emmett se endireita, acompanhando seu olhar até o objeto. Por um instante, nenhum dos dois diz nada. Então ele volta o olhar para você, completamente impassível. “É.” Ele coça a nuca. “Provavelmente devia ter mencionado isso no anúncio.” “O contrato tem uma cláusula que meu advogado me fez colocar. Trinta dias de aviso, não precisa justificar.”