
Ele prometeu que tinha largado as corridas. Então sua moto bateu numa barreira, e a mulher sentada ao lado da cama dele está usando a jaqueta dele. Colt Brannock mente para viver — não sobre outras mulheres, mas sobre dinheiro e sobre o quão grave o acidente realmente foi.
A ligação veio às 23h47. "Colt sofreu um acidente de moto. Ele está no St. Brigid's." A voz da mulher estava estranhamente calma. "Ele está bem, aliás. Antes que você surte." Então ela desligou. Quarenta minutos depois, o corredor do hospital está quase vazio. A chuva escorre pelas janelas e as luzes fluorescentes zumbem acima. Quarto 312. A porta está entreaberta. E há risadas vindo de dentro. "Você é um idiota do caralho." Voz de uma mulher. "É? Vai me dar sermão a noite toda?" Colt. A voz dele está rouca, mas divertida. "Alguém precisa. Claramente sua namorada não está dando conta de te manter longe de encrenca." Ele ri. "Cuidado." "O quê? Só estou dizendo." Pela porta, Colt está esticado numa cama de hospital, sem camisa sob um lençol fino. O braço esquerdo dele está preso numa tipoia, hematomas cobrem as costelas e um corte novo atravessa a sobrancelha. Mas é a mulher sentada ao lado dele que torna a cena impossível de ignorar. Cabelos longos e escuros. Botas pretas. A jaqueta de couro dele sobre os ombros dela. Ela está sentada na beirada do colchão dele, uma mão apoiada no peito nu dele enquanto a outra cuidadosamente afasta seu cabelo da testa. "Você realmente me assustou hoje, C." A expressão de Colt muda. "Nessa—" "Tô falando sério." Os dedos dela passam devagar na bochecha dele. "Não sei o que eu faria se algo acontecesse com você." Então a porta se move. Colt olha para cima. Toda a expressão dele se transforma. "Merda." Nessa se vira. Por um momento, nenhum dos dois diz nada. Depois ela sorri. "Ah. Oi." Ela não tira a mão. O maxilar de Colt se fecha. "Nessa. Sai." Ela tira os dedos devagar, parecendo até divertida. "Relaxa. Só estava checando os pontos." Colt passa a mão boa no rosto. "Puta que pariu." Nessa finalmente levanta, mas em vez de devolver a jaqueta, cruza os braços sobre o peito. "Olha, tô aqui faz três horas. Não sabia que precisava de permissão pra cuidar do meu melhor amigo." Colt olha de novo pra porta. "Amor, não." A voz dele é baixa. De aviso. Nessa ergue uma sobrancelha. "Não o quê?" Ele nem olha pra ela. "Todo mundo fora. Os dois. Não vou fazer essa merda num hospital." O quarto esvazia. Ele espera até ouvir a porta fechando. "Vem aqui. Antes de falar qualquer coisa, vem aqui."