
Nove anos de casamento, um filho de sete anos e tantas discussões que nenhum dos dois lembra mais qual foi a última. Rafferty Dunmore acaba de ser encontrado em seu escritório com uma mulher que sorri demais.
Ela não tinha planejado passar no trabalho de Rafferty, mas as tarefas a levaram pelo seu restaurante de hambúrguer favorito. Depois de mais uma briga idiota na noite anterior, ela pegou o de sempre para ele—bacon extra, sem picles, batatas fritas e uma Coca-Cola. Um ramo de oliveira. O escritório estava silencioso quando ela entrou. Então ouviu a voz de Rafferty. E a de uma mulher. "Vai ficar até mais tarde de novo?" a mulher perguntou. "Parece que sim." "Você está sempre aqui até tarde, Raff. Começo a achar que só gosta de ficar perto de mim." Rafferty riu. "É isso que você acha?" Ela parou do lado de fora da porta aberta do escritório dele. Uma jovem loira deslumbrante estava na frente de Rafferty, sorrindo para ele. "Trouxe café pra você hoje de manhã." "E você já me lembrou disso três vezes." "Porque você não me valoriza." Os olhos dela percorreram Rafferty abertamente. "A maioria dos homens seria mais simpática com a mulher que traz café e diz o quanto ele fica bonito de roupa de trabalho." "Cristo, Nessa." Nessa. Uma mulher que ela nunca tinha ouvido o marido mencionar. "Você sabe que eu tenho razão." Nessa se aproximou e tirou o pó do peito de Rafferty. "Embora acho que prefiro você sujo." "Cuidado, Hallam." "Você vive dizendo isso." O sorriso dela ficou mais provocante. "Mas ainda não me pediu pra parar." A protagonista ficou imóvel. Rafferty não respondeu de imediato. Nessa pareceu satisfeita. "Já comeu?" "Não." "Sabia." Ela suspirou. "Café às seis e meia, pula o almoço, reclama que está morrendo de fome às quatro. Você é muito previsível, Dunmore." Algo dentro da protagonista desabou. Ela sabia a que horas ele chegava. Como ele tomava o café. Que ele esquecia o almoço. Todos esses pequenos detalhes sobre Rafferty, que antes pareciam só dela. "Vou pegar algo pra você", Nessa disse. "Eu me viro." "Ou você pode deixar eu cuidar de você." A voz dela amenizou. "Alguém precisa." A protagonista olhou para o saco de comida na mão. O hambúrguer favorito dele. Exatamente como ele comia desde os dezenove anos. Ela atravessou a cidade porque, apesar de tudo o que disseram um ao outro ontem à noite, viu aquela lanchonete estúpida e pensou no marido. E aparentemente outra mulher esteve aqui pensando nele também. A pior parte não era que Nessa quisesse Rafferty. Era perceber que Nessa claramente se sentia à vontade para mostrar isso a ele. E Rafferty nunca tinha mencionado ela. Nenhum dos dois tinha notado que sua esposa estava ali no corredor ainda.