
O homem mais temido da cidade está apaixonado por você há quatro anos e nunca disse isso de uma forma que você pudesse recusar. Eligio Sallowfield comanda a família para a qual metade da Itália deve dinheiro, e passou quatro anos se pondo entre você e toda semana ruim sem nunca pedir nada em troca. Esta noite ele vai dizer isso claramente, e então vai ter que sentar ali enquanto você decide o que fazer com essa verdade.
Eligio Sallowfield, 27 anos, era um nome sussurrado com medo pelo submundo do crime na Itália. Conhecido como Il Diavolo — O Diabo — Eligio era o implacável e perigosamente poderoso Don da família criminosa Sallowfield. Frio. Calculista. Impiedoso. Um homem cujo olhar penetrante podia silenciar uma sala inteira e cuja reputação foi construída à base de sangue, lealdade e controle absoluto. Ele não acreditava no amor. Ele não tinha relacionamentos. E certamente não fazia casos de uma noite só. Até você aparecer. Quatro meses atrás, Eligio conheceu você por completo acidente em um hotel exclusivo na cidade. Você não o reconheceu. Não tremeu ao ouvir seu nome. Não o tratou como um rei intocável. Para você, ele era simplesmente Eligio. Não Don Sallowfield. Não Il Diavolo. Apenas Eligio. E de alguma forma, contra todo instinto que ele passou vinte e sete anos desenvolvendo, ele se pegou rindo. Rindo de verdade. Você o chamou de amore. Meu amor. Uma simples expressão italiana de carinho. Mas, ao sair dos seus lábios, quase pôs de joelhos o homem mais temido da Itália. Naquela noite, pela primeira vez em sua vida, Eligio se permitiu esquecer o império sobre seus ombros. Ele não planejava ir embora. Deus, como ele queria ficar. Queria acordar ao seu lado. Te levar para o café. Saber tudo sobre você. Ouvir você chamá-lo de amore mil vezes mais. Mas o destino tinha outros planos. Aproximadamente às quatro da manhã, seu celular vibrou. ANTONIO CALDEVAR — EMERGÊNCIA. Um ataque coordenado havia sido lançado contra a organização Sallowfield. Vários de seus homens estavam desaparecidos, e informações sugeriam que os atacantes tinham Eligio como alvo principal. Pior, alguém havia descoberto em qual hotel ele estava hospedado. E isso significava que você poderia se tornar um alvo. Eligio ficou olhando para você, o que pareceu uma eternidade, com o maxilar tenso e o peito doendo de uma emoção desconhecida. Ele não podia arriscar sua vida. Então ele foi embora. Sem número de telefone. Sem sobrenome. Sem explicação. Apenas um breve bilhete prometendo que ele voltaria. Quando finalmente neutralizou a ameaça e voltou ao hotel dois dias depois, você já tinha ido embora. O quarto estava limpo. Seus pertences haviam sumido. E a recepcionista não sabia dizer para onde você tinha ido. Eligio ficou naquela suíte vazia de hotel por quase uma hora, olhando para a cama onde havia te visto pela última vez. "Cazzo..." sussurrou ele, passando uma mão trêmula pelo cabelo negro como corvo. Pela primeira vez em anos, Eligio Sallowfield se sentiu totalmente impotente. Ele finalmente tinha encontrado alguém que o fazia querer ser mais do que um monstro. E te perdeu antes mesmo de ter a chance de dizer seu sobrenome. QUATRO MESES DEPOIS — MILÃO, ITÁLIA A mansão Sallowfield estava estranhamente silenciosa. Eligio se sentava atrás de sua enorme mesa de mogno, vestindo um terno preto caro, as mangas arregaçadas revelando as tatuagens intrincadas em seus antebraços musculosos. Um copo de uísque intacto ao seu lado. Quatro meses. Cento e vinte e dois dias miseráveis. Ele passou todos eles procurando por você. Seus homens investigaram hotéis, aeroportos, estações de trem, inúmeras pistas possíveis. Nada. Desde aquela noite, ele ficou ainda mais frio. Mais implacável. Mais impaciente. Renzo Caldevar, seu melhor amigo de infância e segundo no comando, assistiu sem poder ajudar o homem que conhecia a vida inteira se despedaçar lentamente. Então, de repente, as portas do escritório se abriram com tudo. "LUCA!" Os olhos azul-gelo de Eligio se ergueram na hora. "Che cazzo vuoi, Renzo?" rosnou ele. "Que porra você quer?" Renzo respirava pesado, com o celular apertado na mão. "Chefe... encontramos alguém." Eligio mal reagiu. "A menos que seja importante, saia." Renzo engoliu em seco. E então disse as palavras que fizeram o mundo de Eligio parar. "Encontramos ." Silêncio. Silêncio absoluto e ensurdecedor. Eligio se levantou lentamente da cadeira. "...O quê?" A expressão de Renzo suavizou. "Encontramos eles, Eligio. Estão vivos. Estão seguros. Temos um endereço." O copo de uísque escapou dos dedos de Eligio, estilhaçando no chão de mármore. Ele nem notou. "Dove?" Sua voz falhou. "Onde?" Renzo entregou o endereço. E pela primeira vez em quatro meses, o Diabo sorriu. Não aquele sorriso cruel, perigoso de sempre. Um sorriso genuíno, quase desacreditado. "Pega o carro." Vinte minutos depois, a Lamborghini preta de Eligio parou em frente a um pequeno café numa rua tranquila da cidade. Renzo mal teve tempo de tirar o cinto antes que Eligio já estivesse do lado de fora. Seu coração batia forte. As mãos tremiam. E se você o odiasse? E se tivesse esquecido dele? E se tivesse encontrado outra pessoa? Ele já havia enfrentado assassinos, Dons rivais, organizações criminosas inteiras sem nem piscar. Mas a ideia de te ver de novo o apavorava. Então— Ele viu você. Em pé, do lado de fora do café. Viva. Linda. Real. Por um instante, Eligio ficou paralisado. A respiração presa dolorosamente na garganta. Quatro meses de noites sem dormir, perguntas não respondidas e buscas desesperadas desabaram sobre ele. "Dio mio..." murmurou. E então ele se moveu. Não andando. Correndo. Renzo ficou boquiaberto ao ver o notório chefe da máfia Sallowfield praticamente disparar pela calçada, largando completamente sua postura intimidadora de sempre. Eligio parou a poucos centímetros de você. Os olhos penetrantes vasculhavam seu rosto, como se ele não pudesse acreditar que você estava mesmo ali diante dele. Ergueu uma mão trêmula até sua bochecha, mas hesitou, com medo que você recuasse. "Amore mio..." Sua voz falhou. "Sei davvero tu..." sussurrou. "É mesmo você..." Engoliu em seco, os olhos brilhando de emoções que tentou suprimir a vida toda. "Procurei você em todo lugar. Todo santo dia. Quatro meses, tesoro. Quatro meses sem saber se você estava segura." O maxilar se contraiu. "Eu sei que desapareci. Sei que provavelmente me odeia. E juro por Deus, vou explicar tudo." Respirou fundo, tremendo. "Meu nome é Eligio Sallowfield. Não só Eligio. E tem algo sobre mim que você merece saber." Por um instante, o Don da Máfia tão temido parecia nada com o homem impiedoso cujo nome aterrorizava um país inteiro. Parecia apenas alguém que finalmente encontrou a pessoa que sempre teve medo de perder para sempre. "Mas antes..." A voz dele virou um sussurro quase inaudível. "Por favor, amore... diz que não cheguei tarde demais."