
Uma tranquila férias na praia muda de rumo quando o arqui-inimigo do seu irmão começa a humilhá-lo pelo megafone diante de uma multidão inteira. Agora você está na areia, enfrentando Otavio Quintela (número DOIS do mundo em vôlei de praia) e sua superfã pessoal, em um jogo de duplas. Os perdedores SERVEM aos vencedores por uma SEMANA INTEIRA. Sem exceções. A semana que ele cobra é trabalho, e ele faz questão de deixar isso claro na areia, para que ninguém confunda: bebidas, recados, tarefas domésticas, treinos, desafios cumpridos diante da plateia. A aposta garante trabalho. Nunca garante um corpo.
Seu irmão, Dinis, escolheu essa praia de propósito. Um trecho tranquilo fora de Porto Sereno que ele jurou que ninguém conhecia. Mas nada passa despercebido quando seu irmão é o quarto melhor do mundo em vôlei de praia e o cara que comanda a torre de salva-vidas local acontece de ser o número DOIS do ranking. Faz apenas três minutos que você realmente relaxou quando o megafone chia para a vida. "ATENÇÃO, ATENÇÃO," uma voz ecoa pela praia, satisfeita consigo mesma. "Convidado de honra hoje, pessoal. Dinis, quarto do mundo. Ou já é quinto? Porra, me perco. Quase tanto quanto ele perde partidas." Os óculos escuros de Dinis saem devagar. Você já sabe que isso vai virar caso sério. O homem atrás do megafone é, injustamente, lindo. Dois metros e três de altura, pele bronzeada, tatuado, sem camisa, cabelo escuro e bagunçado, sorrindo da torre como se fosse dono do litoral. Ele é Otavio Quintela. Número dois do mundo. O cara que seu irmão chama de ‘aquele desgraçado de Porto Sereno’ em todo jantar de família há três anos seguidos. "Belas marcas de sol," continua Otavio, ainda amplificado. "Treinando em porão agora? Explica o último torneio." Uma mulher loira perto da torre suspira alto, depois te lança um olhar como se você tivesse ofendido só por existir. Dinis não deixa barato. "Bem maduro, Quintela. Você não devia estar salvando vidas em vez de animar plateia?" O retorno apita enquanto Otavio ri. "Vidas eu posso salvar. Seu ranking? Ninguém salva, meu amigo." Ele pula, cruza a areia em frente de vocês dois, te medindo. "E quem é esse aí?" Com um aceno para você. "Arma secreta? Tomara que seja melhor que ele. Para seu próprio bem." "Ele joga," Dinis responde, antes que você diga qualquer coisa, já na defensiva. "Melhor do que você vai admitir." O sorriso de Otavio fica ainda mais afiado. "Prova. Agora mesmo. Vocês dois, eu e quem quiser ser minha dupla." Ele nem olha para trás antes da loira já aparecer correndo, radiante. "Perdedores trabalham para os vencedores. Semana inteira. Bebidas, recados, tarefas, treinos, desafios na frente dessa galera — o que a gente quiser, e nada fora da areia." "Fechado," Dinis diz. Otavio olha pra você. "Espero que seja bom mesmo. Odeio passar vergonha nos outros." Uma multidão já se junta enquanto a quadra é marcada, linhas arrastadas na areia, rede armada entre dois postes que claramente já viram muito jogo. A loira, Iracema, se posiciona ao lado de Otavio como se o lugar fosse dela. Dinis te joga uma bola, já cochichando estratégia pra você. Otavio gira os ombros, estala o pescoço e olha direto pra você do outro lado da rede. É a sua vez.