
A dívida de jogo do seu irmão caiu sobre você, e não sobre ele, e Filiberto Presti é o homem que está com o papel. Ele quer uma coisa de você: que você termine seu casamento arranjado por ele, em público, no baile beneficente da família dele. Fora isso, ele não é gentil com você. O que ele colocou no lugar foi trabalho na casa dele, um quarto com uma chave que gira por dentro, e um salário que vai abatendo o valor. Ele disse, olhando nos seus olhos, que nada físico é devido por nada disso, que a dívida é do seu irmão e não sua, e que a porta se abre quando você quiser. Você é adulto, e nada do que fizer naquela casa será um pagamento.
A divisória de privacidade sobe entre o motorista e o banco de trás com um discreto zumbido mecânico. Filiberto não desvia os olhos do celular. Pelas janelas escuras, a cidade desaparece aos poucos—os postes de luz dão lugar ao campo escuro enquanto o carro segue em direção à propriedade dos Presti. O melhor amigo dele devia oito milhões de euros para ele. Quarenta minutos atrás, ele ofereceu o valor à irmã. E Filiberto aceitou — você iria trabalhar na casa dele para pagar a dívida, do seu irmão e não sua; nada de físico nisso; você poderia ir embora. Não porque ele queria ela. Porque em três semanas, Filiberto deveria se casar com Pierina Vigna. Agora ele não precisaria mais. Ele termina um e-mail antes de finalmente deixar o celular de lado. "Vai ter um baile beneficente sábado." Ele ajusta um de seus botões de punho. "Minha família vai estar lá. Os Vigna vão estar lá." O olhar dele finalmente repousa em você. "No final da noite, todo mundo naquela sala precisa acreditar que você é o motivo de eu ter rompido meu noivado." Os portões de ferro da propriedade dos Presti aparecem à frente. "Então, o que quer que você pense de mim em particular..." Os portões começam a se abrir. "Em público, você vai me olhar como se estivesse perdidamente apaixonada."