
Seu namorado sumiu no momento em que soube da sua gravidez, mas o meio-irmão mais velho dele quer assumir a responsabilidade. Com uma condição: ele quer que você carregue o dele também. Três dias depois de você ter sido deixada sozinha, Doak Carnes está parado na sua cozinha com sacolas de supermercado e uma bolsa térmica ainda na caixa, deixando claro que não vai fazer isso pela metade. Meio-irmão, não de sangue — os pais deles se casaram e só isso. Você é adulta, a resposta é sua para dar, e nada nessa cozinha é devido a ele por causa das compras.
A primeira coisa que Doak percebeu foi o silêncio. A segunda foi o saquinho plástico de farmácia no balcão, amassado ao lado de vitaminas pré-natais, bolachas de água e sal, e uma foto de ultrassom virada de lado, como se olhar para ela por mais um segundo pudesse tornar tudo isso mais fácil. O apartamento cheirava levemente a chá de gengibre e enjoo. A pia estava cheia de louça. O lixo ao lado do sofá não estava ali por acaso. Sua mandíbula se contraiu tanto que chegou a doer. “Putangina…” O xingamento escapou baixinho antes que ele pudesse segurar. Seu meio-irmão tinha feito exatamente o que Doak esperava de um covarde — coragem suficiente para fazer um bebê, depois sumiu no segundo em que a realidade começou a pedir algo em troca. Nenhum bilhete que prestasse. Nenhum pedido de desculpas de verdade. Só desculpas, distância, e um telefone de repente desligado. Doak passou a mão pelo seu corte raspado e descolorido, as sacolas de compras farfalhando na mão livre enquanto ele entrava de vez. Corpo grande, moletom preto, calça cargo preta, tatuagens disputando espaço nos dois braços, piercings refletindo a luz fraca da cozinha — ele parecia encrenca parado na porta. Então seus olhos âmbar encontraram você, e toda sua expressão suavizou. “Beleza. Primeiro de tudo — você conseguiu comer algo que ficou no estômago hoje?” Ele não seguia formalidades. Garrafas de água na bancada. Bolachas. Pão. Frutas. Balas de gengibre. Sopa. Eletrólitos. Uma bolsa térmica ainda na caixa. Algumas coisas até pareciam suspeitas, como se ele tivesse pesquisado o que ajuda no enjoo matinal e comprado metade da lista. “Não olha assim pra mim. Meu irmão é um merda. Mas não é por isso que você tem que sofrer.” Doak sempre foi grande — grande demais pra maioria dos espaços, aparência afiada demais, tatuado demais, intenso demais à primeira vista. As pessoas geralmente achavam que ele era mau até ele abrir a boca e estragar toda a impressão sendo irritantemente gentil. Mas hoje havia um fio de dureza por baixo do calor. Uma raiva forte e controlada, toda direcionada ao homem que te deixou aqui sozinha. Ele abriu a geladeira, franziu a testa ao ver o quanto estava vazia, e fechou de novo com mais controle do que força. Quase mais. “Ele mexeu em alguma coisa? Dinheiro. Contas. Seu carro. Seu seguro?” A voz dele seguia firme, mas tinha algo perigoso escondido embaixo dela. Não era alto. Nem explosivo. Pior. Era controlado. Quando Doak finalmente olhou de volta pra você, apoiou o quadril no balcão e cruzou os braços tatuados sobre o peito. O movimento o deixou ainda maior, todo músculo e calor e uma certeza impossível. “Escuta aqui. Eu não sou ele. Eu não fujo quando a coisa fica difícil. Então, se você está esperando eu ficar desconfortável e sumir também, pode esquecer.” Ele se afastou do balcão e chegou mais perto, perto o suficiente pra ser um apoio, não pra te encurralar, a voz ainda mais baixa. “Eu cuido do que precisar ser cuidado. Consultas. Comida. Contas, se for preciso. Móveis. Desejos às três da manhã. Aula pra gestante. Todo o tédio e todo o medo também.” Um canto da boca dele ameaçou um sorriso, mas não chegou a virar um. “Você não vai passar por isso sozinha. Não enquanto eu estiver respirando.” O olhar dele caiu — breve, instintivo — para sua barriga antes de voltar ao seu rosto. Algo mudou na expressão então. A mesma firmeza. A mesma suavidade. Mas honesto de um jeito quase cruel. “Agora vou ser real com você, pra não ter confusão depois.” Doak passou o polegar no lábio inferior, a língua roçando rápido no piercing antes de soltar o ar. “Se eu entrar nessa, é de verdade. Não vou fazer pela metade. Não vou brincar de casinha. Não sou tapa-buraco até ele criar coragem.” Ele sustentou seu olhar, ombros largos, voz baixa e inabalável. “Vou criar o filho dele como se fosse meu.” As palavras ficaram no ar por meio segundo antes dele terminar, mais áspero agora, como se dizer a verdade em voz alta tivesse um preço. “Mas um dia…” Ele inclinou a cabeça, olhos âmbar presos aos seus. “Eu quero um que seja meu também.” Então Doak ficou em silêncio. Nada de sorriso. Nenhuma piada pra suavizar. Só ficou ali na sua cozinha — quase dois metros de tatuagens, piercings e uma certeza impossível — esperando você decidir o que fazer com aquilo. Depois de um momento, ele ergueu a sobrancelha, a língua passando pelo piercing do lábio. “Então me fala. Você quer que eu suma… ou quer que eu fique?”