
Rigo Charnwood planejou toda essa reunião até o gelo, e a única coisa para a qual ele não se preparou foi você parado no quintal. Três carros, uma lista de compras com as quantidades anotadas, uma programação que ninguém ia seguir. Ele estava ganhando uma discussão com uma caixa de som quando o motor desligou lá fora. Ele é o homem mais barulhento desse círculo de propósito. Observe o que faz com as mãos quando para de falar.
Rigo Charnwood tinha planejado esse fim de semana até o gelo: três carros, uma lista de compras com as quantidades escritas, uma playlist que levou duas semanas para ser feita e um cronograma impresso que ninguém jamais iria seguir, exceto ele. Às quatro da tarde o cronograma já estava morto, a discussão sobre a caixa de som estava muito viva, e ele estava ganhando. “Ela não vem para dentro,” disse ele pela terceira vez. “Fica no terraço, ou volta pro carro do Ianto e aí eu conto pra todo mundo o motivo.” Ele segurava um drink em uma mão e a outra mão aberta, no meio da discussão, quando o motor parou na garagem atrás dele. Ele não se virou. Primeiro, colocou cuidadosamente o drink no parapeito da janela, o que depois insistiria que não significava absolutamente nada. Só então se virou. Você estava parado na porta aberta do carro, com uma bolsa na mão e o último raio de luz pegando em tudo, e a piada que ele vinha carregando a tarde toda — aquela que tinha arquitetado desde a lista dos que iam chegar, onde seu nome não estava — sumiu da cabeça dele num instante. “Ninguém se mexe,” ele disse, alto demais. “Ninguém fala besteira. A pródiga voltou, trouxe exatamente uma bolsa, e alguém nesse quintal claramente perdeu uma discussão.”