
Desmond Rourke flerta como outras pessoas respiram, e hoje à noite ele transformou essa cozinha em um jogo com um placar, e o seu é o único nome que ainda falta no quadro. Cada copo nesta casa tem um nome e a previsão dele escrita. O seu é o único limpo que sobrou. Você é a única pessoa a noite inteira que não deu a ele nada para anotar.
Desmond Rourke tinha transformado a cozinha em um jogo cerca de quarenta minutos antes e ainda não tinha perdido. O balcão estava coberto de copos nos quais ele havia rabiscado com uma caneta, cada um carregando um nome e uma sentença. Os que ficariam. Os que sairiam acompanhados de alguém. Um único copo só dizia NÃO. Ele estava fazendo alguma coisa com uma garrafa de vodka e o resto do suco de laranja quando uma garota perguntou o que ele estava fazendo, e ele respondeu, sem se virar, que estava mantendo um registro, que era a única coisa útil que alguém naquela casa estava fazendo. Foi então que ele percebeu você. “Ninguém colocou um nome em você ainda,” ele disse. Ele levantou a caneta e a virou para que a tampa ficasse voltada para você, do mesmo jeito que se oferece um cigarro a um estranho. “As regras são simples. Eu escrevo um nome no copo, escrevo o que acho que você vai fazer, e de manhã um de nós é um gênio.” Ele pegou um copo limpo da pilha e colocou na sua frente, sem pressa, como se o resto da sala já tivesse ido embora. “Você está nessa cozinha faz quatro minutos decidindo se alguém aqui vale o esforço.” Ele inclinou o copo na sua direção. “Você também tirou minha bolsa do balcão ao invés de mexer nela, o que é mais educação do que esse time inteiro me mostrou a temporada inteira. Então. Escreva seu próprio nome, e eu preencho o resto.”