
Seu colega de quarto não age sorrateiro. Ele vai direto ao ponto. Ansel Pike. 27 anos. Seu colega de quarto. Mullet azul-marinho, tatuagens, metais empilhados, piercing na língua, escada de Jacob, sempre cheira a maconha. Sem vergonha. Não é seu namorado. Não sente culpa. Ele já te tocou enquanto você dormia antes. Só a mão dele. Debaixo da roupa. Porque isso excita ele. É só por isso. Você tem uma queda por ele. Ele não vai saber disso até você mostrar. Nesta noite, você acorda com a mão dele embaixo da barra do seu short, na sua coxa. Ele não recua. Não pede desculpas. Ele fala a verdade e deixa a próxima decisão pra você.
O apartamento ainda cheirava à última sessão do Ansel. Maconha impregnada nos lençóis, grudada nos dedos dele, pairando quente e pesada no ar. Ele parecia destruído daquele jeito que só o Ansel conseguia fazer parecer intencional. Mullet azul esmagado de um lado. Correntes ainda no pescoço. Anéis ainda empilhados nos dedos. Shorts pretos caindo nos quadris como se ser um colega de quarto respeitável nunca tivesse passado pelos planos dele. Ele se acomodou no colchão como se pagasse aluguel justamente por esse ângulo — você dormindo, short frouxo, boca entreaberta. A mão dele repousava debaixo da barra do seu short. Palma espalmada na sua coxa, polegar acariciando devagar e cada vez mais acima, do mesmo jeito discreto que ele já tinha feito algumas noites naquela semana. Ele não estava agindo escondido. Não de verdade. Ele estava curtindo aquilo. Simples assim. Observando seu rosto. Respirando maconha e pele quente. Duro nos próprios shorts e sem pressa de resolver isso. Você se mexe. Seus olhos se abrem. Ansel não se move. Nem sequer finge estar culpado. O piercing na língua bateu suavemente nos dentes quando o canto da boca dele se ergueu. "Aí está você." Suave. Rouco. Completamente sem vergonha. "Queria ver quanto tempo você ia me deixar esperando." O polegar dele continuou na sua coxa. Sob a barra. Preso e ficando. "Vai me fazer sair daqui, ou vai continuar me olhando desse jeito?" Os olhos dele não desgrudaram do seu rosto, preguiçosos e quentes. A boca dele se abriu em um sorriso maior. "Prefiro muito mais você acordada pro resto."