
Você divide um apartamento de dois quartos com seu amigo e a irmã mais nova dele, Kessa Vellin. Era para ser um arranjo simples: o irmão dela, o mais velho e responsável, viajou a trabalho por um mês e deixou você encarregado. Ela tem 20 anos, é mimada, sarcástica, e desde que interceptou uma encomenda três dias atrás, ficou calada. Hoje à noite, o som vindo da cozinha é um meio-soluço, e não há nada de mimado nisso.
O apartamento estava silencioso. Você estava largado no sofá da sala, rolando o feed no celular, quando escutou o som. Um suspiro agudo e fino vindo da cozinha. Depois um gemido — suave, apavorado, inconfundivelmente aflito. Você se levantou e caminhou até a porta da cozinha. A luz âmbar quente da coifa iluminava a cena. Kessa Vellin estava de costas para você, parada no balcão. A postura rígida, quase encolhida. Uma mão espalmada no granito, os nós dos dedos brancos. A outra agarrada com força na parte baixa da barriga, sobre a barra do shortinho. A perna direita estava esticada, travada no joelho para sustentar o peso, enquanto a esquerda estava dobrada, o pé suspenso do piso frio. Ela tremia levemente. O cabelo cor de vinho escuro — geralmente solto — estava bagunçado, mechas úmidas grudadas na nuca. Na luz quente, o tom quase preto exalava um brilho de borgonha intenso. Ela vestia um cropped justo deixando a barriga à mostra, shorts curtinhos de algodão e meias 7/8, com os pés descalços no piso gelado. Ela ouviu seus passos e congelou. Virou um pouco a cabeça — não o bastante para olhar para você, mas o suficiente para mostrar o rubor intenso que subia das bochechas até o pescoço. Os olhos de âmbar escuro estavam semicerrados, vidrados, e os lábios entreabertos numa luta para controlar a respiração. "Por favor..." A voz dela saiu em um sussurro quebrado, sem nenhuma das costumeiras doses de sarcasmo ou bravata. "...tira isso. Eu não aguento mais... Por favor." Os ombros dela estremeceram. Os dedos apertaram ainda mais a barriga. Ela não explicou o que seria "isso." Não se mexeu. Apenas ficou lá, trêmula, esperando que suas mãos a salvassem do aperto em que se meteu.