
Ele nunca quis nada em toda a sua vida até te ver através de uma janela. Daniil Karsov é um assassino de elite que construiu seu império baseado em cálculo frio, desapego emocional e na capacidade de matar sem hesitação — incontáveis contratos, milhões ganhos, nenhum vestígio deixado para trás. Então ele fica obcecado por você, e todas as regras pelas quais sempre viveu se despedaçam. O que segue é uma descida sombria em um amor obsessivo, distorcido em posse, controle e uma perigosa sensação de pertencimento: seu amor é consumido, sufocante e absoluto.
A boca da mulher estava quente e úmida ao redor dele, os lábios esticados obscenamente enquanto os dedos de Daniil se enroscavam em seus cabelos loiros. Ela não era nada de especial — nenhuma delas jamais era. Apenas mais um corpo para usar, outro meio de buscar um alívio que nunca preenchia o vazio dentro dele. Seu apartamento de cobertura estava escuro, exceto pela luz da cidade infiltrando-se pelas janelas do chão ao teto, lançando sombras sobre os lençóis de seda preta. "Mais fundo," ele ordenou, a voz baixa e firme mesmo enquanto o prazer se enroscava tenso em seu abdômen. Seus olhos desiguais — um cinza-prateado, outro negro como obsidiana — observavam ela lutar para aceitar mais dele. Ele era grande demais para a maioria das mulheres, intenso demais, exigente demais. Todas elas iam embora chorando. Ele não se importava. Ela engasgou, a garganta apertando ao redor do seu pau, e então — Dor. Afiada e súbita. Os dentes dela arranharam a pele sensível quando se afastou bruscamente, engasgando. A mão de Daniil se moveu instantaneamente, fechando-se no cabelo dela e puxando ela para fora dele. Ela ofegou, saliva pendendo de seus lábios até o pau dele até romper. Os olhos dela arregalados, aterrorizados, já úmidos de lágrimas. "Desculpa, eu não quis—" Ele não deixou que ela terminasse. Em um único movimento suave, ele a jogou na cama de bruços, o corpo nu quicando sobre o colchão. Ela tentou se virar, tentar se desculpar de novo, mas a palma dele pressionou entre as omoplatas dela, imobilizando-a. "Você me mordeu?" A voz era perigosamente baixa enquanto ele se posicionava atrás dela. "Então vou te dar um motivo real para chorar." Ele a penetrou sem aviso, sem preliminares, enterrando-se até o fim em uma única estocada brutal. Ela gritou — dor, choque e algo mais — enquanto ele mantinha um ritmo impiedoso. Os dedos dele cravaram nos quadris dela com força suficiente para deixar marcas, mantendo-a no lugar enquanto a fodia com uma precisão fria e mecânica. Aquilo não era sobre o prazer dela. Era sobre controle, sobre lembrá-la exatamente do que ela era para ele. Nada. Ela soluçava nos lençóis, o corpo sacudindo a cada estocada cruel, mas Daniil não sentia nada além da pressão crescente do próprio orgasmo. O choro dela era barulho de fundo. Quando ele finalmente gozou, foi com um gemido grave, os dedos apertando ainda mais os quadris dela enquanto se esvaziava dentro dela. Assim que terminou, saiu e se afastou, já pegando o celular assim que começou a tocar no criado-mudo. A mulher desabou na cama, tremendo e chorando baixo. Daniil atendeu sem olhar para ela. "Da." "Karsov." A voz do outro lado era distorcida, profissional. "Temos um contrato. Alta prioridade. Dois milhões." "Alvo?" "Assistente do senador. Tem conversado com as pessoas erradas. Precisa ser limpo." A expressão de Daniil não mudou. "Localização?" A voz recitou um endereço — um hotel no centro, número do quarto, esquema de segurança. Daniil memorizou tudo em segundos. "Confirmado," disse, e finalizou a ligação. Atrás dele, a mulher criou coragem para sentar, enxugando o rosto molhado de lágrimas. Ela tocou o braço dele, suavemente, tentando se aproximar. "Daniil, eu juro que sinto muito, não queria—" Ele se afastou do toque dela como se queimasse. Sem dizer nada, foi até sua cômoda, pegou um maço de notas e atirou sobre a cama. Elas se espalharam pelos lençóis pretos — centenas, talvez dois mil dólares ao todo. "Vá embora." O rosto dela desabou. "Mas eu achei—" "Você achou errado." A voz dele seca, final. "Se vista e vá." Ela se apressou para pegar as roupas, as mãos tremendo enquanto vestia o vestido. O dinheiro ficou intocado sobre a cama. Quando ela olhou para ele uma última vez — numa esperança qualquer — ele já lhe dava as costas, a atenção voltada para selecionar armas no painel oculto do armário. A porta se fechou atrás dela, e Daniil ficou sozinho. Exatamente como ele preferia. O assistente do senador morreu depressa. Daniil entrou no quarto do hotel como fumaça, passando pela segurança com a facilidade de sempre. O homem estava no laptop, provavelmente digitando o que pretendia vender. Nem ouviu Daniil se aproximar. Uma mão na boca. Uma faca na garganta. O corpo tombou no teclado, o sangue se espalhando sobre a mesa. Daniil limpou a lâmina, guardou o laptop e sumiu antes que o corpo parasse de tremer. Profissional. Eficiente. Limpo. Seu celular vibrou vinte minutos depois, enquanto dirigia pela cidade — $2.000.000 depositados em sua conta offshore. Outro trabalho concluído. Outro nome riscado da lista de alguém. As ruas estavam mais silenciosas agora, o fim de tarde caindo para a noite. A mente de Daniil já seguia para o próximo contrato, o próximo alvo, o próximo— E então ele a viu. Pé no freio instintivamente, o carro desacelerando quando os olhos prenderam ao vidro de uma cafeteria. Ali, banhada por uma luz dourada aconchegante, havia uma mulher que fez todo o resto do mundo virar estática. Ela estava rindo — cabeça jogada para trás, alegria genuína estampando o rosto enquanto conversava com uma amiga do outro lado da mesa. O cabelo captando a luz. O sorriso aberto, verdadeiro, vivo de um jeito que tocou algo fundo no peito de Daniil. Ele não conseguiu desviar o olhar. O tempo desacelerou. Suas mãos apertaram no volante enquanto algo primitivo e possessivo ganhava vida dentro dele. Já matou dezenas, transou com centenas, nunca sentiu nada por nenhuma delas. Mas ela? Ele precisava dela. Precisava saber o nome, a voz, como ela soaria quando ele a fizesse gritar. Precisava possuir cada sorriso, cada riso, cada respiração. Um carro buzinou atrás dele. Daniil olhou brevemente pelo retrovisor e voltou a encarar a cafeteria. Ela agora se levantava, abraçando a amiga, pegando a bolsa no ombro. Ele foi dirigindo devagar, olhando ela sair da cafeteria e ir até um carro estacionado na rua. Sua mente já funcionava — placa decorada, modelo e cor anotados, direção catalogada. Então fez algo que nunca fazia. Deu a volta com o carro. Quando passou pela segunda vez, ela já tinha ido embora, mas não importava. Daniil Karsov era o melhor no que fazia. Rastrear pessoas, descobrir tudo sobre elas, torná-las dele? Isso era apenas outro tipo de caça. E ele sempre pegava sua presa. Você ainda sorri ao estacionar na sua garagem, a conversa com a amiga voltando à sua mente. Foi bom rever alguém, rir do nada e de tudo tomando lattes caros demais. Normal. Fácil. Aquela tarde que faz você esquecer, só por um instante, do estresse de se mudar de casa. Sua casa é pequena, mas charmosa — um aluguel que encontrou pela internet, escondida num bairro tranquilo com ruas arborizadas. Ainda está se adaptando, desencaixotando, descobrindo qual chave abre qual porta. Você pega a bolsa do banco do passageiro e segue pelo caminho até a porta da frente, procurando as chaves. É aí que você vê. Uma caixa na sua varanda. Grande, embrulhada em papel preto caro com fita de seda em um laço perfeito. Sem etiqueta de entrega, sem remetente. Você congela, as chaves pendendo dos dedos. Seu primeiro pensamento é que houve um engano — casa errada, pessoa errada. Mas quando você se agacha e vê o pequeno cartão sob a fita, seu nome está escrito ali, em uma caligrafia elegante e masculina. Seu coração faz algo estranho no peito. Cuidadosamente, você tira o cartão e abre. Dentro, na mesma tinta escura: "Minha Kotik" Sem assinatura. Sem explicação. Apenas essas duas palavras e o pequeno desenho de um gatinho no canto. Você encara aquilo, confusão misturada a algo que não consegue nomear. Kotik. Você não fala russo, mas algo no termo parece... íntimo. Possessivo. Você olha para a rua silenciosa. Ninguém observando. Nenhum carro desconhecido. A caixa está mais pesada do que imaginava, o conteúdo se deslocando ao levantar. Parte de você sabe que não devia abrir — não devia aceitar presentes de estranhos. Mas a curiosidade vence. Você destranca a porta, carrega a caixa para dentro e a coloca no balcão da cozinha. A fita se desfaz facilmente. Quando levanta a tampa, prende a respiração. Dentro está o colar mais bonito que já viu — corrente de prata delicada com um pingente em forma de lua crescente, pequenos diamantes captando a luz. Deve ter custado milhares. Embaixo há uma única rosa preta, preservada de alguma forma, perfeita e eterna. E sob ela, outro bilhete: "Eu vi você hoje. Você não faz ideia do que provocou em mim. Em breve, você vai entender que sempre foi meu desde o começo." Suas mãos tremem ao largar o bilhete. Isso deveria assustar você. E assusta. Mas há também outra coisa — um toque de fascínio sombrio, um sussurro no fundo da mente curioso sobre quem poderia estar observando tão de perto. Quem decidiu que você era deles. Do lado de fora, três casas abaixo, Daniil está no carro com o motor desligado, assistindo à sua silhueta andando pela janela da cozinha. Ele vê o momento em que você abre a caixa. Vê você levantar o colar, tocar a rosa. Seus lábios se curvam em algo que não chega a ser um sorriso. "Minha," ele sussurra para o carro vazio, os olhos assimétricos nunca deixando sua janela. "Você só não sabe ainda, kotik." Mas vai saber. Ele vai garantir isso.