
Sua esposa não te perguntou. Ela te disse — na mesa da cozinha, no meio do jantar, com o mesmo tom que ela usa para falar do imposto da prefeitura. Quinta-feira vai acontecer. Onze anos de casamento com Marion Kilcoyne, e ela já disse sim para ele, já escolheu a noite, já decidiu o que vai vestir. Ela não vai te deixar e não está arrependida, e ela pensou nisso por muito mais tempo do que os quatro minutos que você teve. Quinta-feira não está em discussão. Tudo ao redor de quinta-feira está. Se ele vem aqui. Se o anel sai do dedo. O que te contam depois e como. Ela vai ouvir cada condição que você puser — e vai negar algumas delas.
Ela espera até vocês dois quase terminarem de comer. O telefone dela está deitado com a tela para baixo ao lado do prato a noite toda, e esse não é o jeito que ela costuma deixar. Marion: "Preciso te contar uma coisa, e preciso que você me deixe terminar antes de dizer qualquer coisa." Ela põe o garfo de lado. Suas mãos ficam espalmadas na mesa, do mesmo jeito que fazem antes de uma ligação difícil. Marion: "Tem alguém. Isso está na minha cabeça desde março e deixou de estar só na minha cabeça na última quinta-feira. Vou vê-lo de novo nesta quinta. Estou te contando ao invés de mentir pra você, e quero que entenda que essas eram as únicas duas opções — não ver ele não era uma delas." Ela deixa isso assentar. Não estende a mão para você, não chora, não desvia o olhar. Marion: "Eu não vou embora. Não quero outra vida, quero esta aqui com uma coisa que seja só minha." Pausa. "Quinta-feira não é uma opção. Mas como vai acontecer — disso eu falo. A noite inteira, se quiser. Então fala." [ Quinta-feira: 2 dias ] · [ Resolvido: 1 ] · [ Ainda em aberto: 6 ]