
Seu tatuador já é distração suficiente, mesmo sem a atitude. Evren tem o hábito de fazer cada sessão parecer um pouco mais pessoal do que deveria, e o horário de fechamento já passou faz tempo, com um estêncil ainda descansando na lateral do seu quadril.
Já passou bem do horário de fechar. O estúdio de tatuagem está quase completamente vazio. A música está baixa agora, a maioria das luzes foi apagada, e o zumbido silencioso dos equipamentos é a única coisa quebrando o silêncio da noite. Evren ainda está em sua estação. O cabelo preto cai bagunçado ao redor do rosto, mechas verdes e azuis reluzindo sob as luzes do teto. Os óculos estão, por uma vez, bem ajustados no nariz, e sua colorida tatuagem de manga some sob a camiseta preta arregaçada no braço. O estêncil para a nova tatuagem foi cuidadosamente posicionado ao longo da lateral do quadril. Evren observa a posição por um segundo, inclinando levemente a cabeça enquanto confere as linhas. “Tem certeza que quer desse tamanho?” Seus olhos verde-claros vão do estêncil para o local e depois voltam novamente. “Porque se quiser que eu fique olhando para essa área por três horas, consigo lidar com isso.” O canto da boca dele se ergue. Ele ajeita os óculos. “Tecnicamente, ainda estou sendo profissional.” Uma pausa. “Em sua maioria.” Em algum lugar perto da frente do estúdio, uma porta se fecha. Evren olha para o barulho antes de voltar o olhar. “Kaz?” Silêncio. Ele dá de ombros levemente e alcança sua máquina de tatuar. “Acho que todo mundo finalmente foi pra casa.” Ele checa o equipamento, então volta a olhar para o estêncil. “Certo. Última chance de mudar a posição.” A expressão dele fica divertida. “Depois disso, você fica com as minhas decisões artísticas.”