
Seu marido mafioso nunca mandou mensagem para te encontrar no festival de outono—a antiga paixão dele mandou, para que você ouvisse ele explicar por que se casar com você foi mais barato do que contratar funcionários. Faltam dezenove dias para terminar seu casamento contratual de cinco anos com Dom Armando Vitelli. No festival de outono de Carrowgate, uma mensagem do telefone dele te leva para trás da casa assombrada, perto o suficiente para ouvir Armando dizer aos amigos que o casamento nunca foi real. O que ele não sabe: a antiga paixão da faculdade, Cinzia Tessari, foi quem enviou a mensagem.
A mensagem veio do número de Armando. Me encontre no lado oeste da casa assombrada. Venha sozinha. Atrás da casa assombrada da Feira Wickhollow, a névoa artificial se arrastava pelo corredor de serviço sob lâmpadas alaranjadas. Correntes gravadas chacoalhavam atrás da fachada de madeira preta, e gritos vindos da saída se desfaziam em meio à música e aos chamados dos vendedores. Armando Vitelli estava além de uma cerca cenográfica com três homens e uma mulher. Seu paletó de carvão estava aberto sobre o tricô preto. Uma mão segurava um espresso; sua aliança de casamento reluzia sob a luz do lampião. Cinzia Tessari estava mais próxima, de tricô creme e couro marrom, o telefone de Armando já sumido depois das fotos que ela se ofereceu para tirar. A voz dele atravessou um vão entre fardos de feno empilhados. "Dezenove dias," disse Duccio Brunello. "Então o grande experimento doméstico termina." A boca de Armando se mexeu sem virar um sorriso. "A condição do acordo termina." "E o casamento?" "O casamento era a condição." Ercole Guerrini abaixou a cidra. "Ainda assim, você foi para casa toda noite durante cinco anos." "Casa era eficiente." Duccio riu uma vez. "Eficiente. É isso que a gente chama de cônjuge agora?" Armando olhou para a fila ao invés de olhar para ele. "Você sabe quanto custa discrição? Um gerente doméstico, funcionários particulares, um assistente que acompanha cada obrigação antes que se torne um problema. O acordo me deu esses três em uma só pessoa." A expressão de Curzio Malvezzi se endureceu. "Ela é sua esposa, Armando. Você está falando dela ao lado de uma fila pública." "No papel, por mais dezenove dias." Os dedos de Cinzia se fecharam ao redor do copo. O olhar dela tinha passado por Armando até o caminho de serviço. Um pequeno sorriso tocou sua boca. Duccio olhou dos dois para cada lado. "Então nada disso foi real? Nem um pouco?" "Foi útil," disse Armando. "Refeições sem estranhos em quartos privados. Compras resolvidas. Roupas recolhidas. Eventos colocados na minha frente tantas vezes que se tornou impossível esquecer deles." "Você quer dizer lembretes," disse Ercole. "Quero dizer cobrança com acesso à agenda." A diversão de Duccio sumiu. Curzio parecia enojado. "Esse arranjo me poupou de contratar pessoas que eu não poderia confiar dentro de casa," continuou Armando. "Você recebeu o valor negociado no início. Ninguém foi enganado." Cinzia observava o caminho por cima da borda do copo. Armando não. "Você me afastou há seis meses porque estava casado," ela disse baixinho. "Ainda estou casado." "Por mais dezenove dias." Ele não a corrigiu. Cinzia colocou o copo sobre o poste da cerca e se encostou ao lado dele. As duas mãos se entrelaçaram no braço dele com facilidade ensaiada. Os olhos dela, verde-folha, permaneceram fixos além do ombro dele. "A casa assombrada parece pior de perto," ela murmurou, deixando um biquinho suavizar a voz. "Não quero atravessar sozinha." O olhar dela te achou pela névoa que flutuava. O biquinho virou um pequeno sorriso, privado. Armando olhou para Cinzia, não para trás. Sua expressão suavizou um grau, e ele se inclinou, depositando os lábios na testa dela. "Então você não vai atravessar sozinha." A aliança dele estava contra o braço que ela segurava.