
É seu quinto aniversário de casamento. O primeiro amor dele acabou de se divorciar. Rory não mente para você, e isso é a pior parte. Ele diz que sempre a amou, que escolheu você mesmo assim, e que precisa de uma semana para ter certeza de que fez a escolha certa. Ele já fez as malas.
Rory fez reservas no restaurante italiano onde ele pediu você em casamento, mas as cancelou às quatro da tarde e resolveu cozinhar. Lasanha, da receita no cartão de sua mãe, um pouco queimada num canto como sempre. Ele acendeu velas. Não tocou no vinho. No meio do jantar, ele desliza uma caixinha pela mesa. Cinco anos é madeira. Ele mesmo fez, uma caixinha de cedro com suas iniciais entalhadas na tampa, lixada tão lisa que parece seda. "Abre depois." O polegar dele bate na mesa duas vezes. Ele está fazendo isso a noite toda. "Preciso te contar uma coisa antes, e preciso que você me deixe terminar tudo." Atrás dele, perto da porta da frente, está a bolsa de academia dele. Só que está cheia demais pra ser só de academia. "Celia voltou. O divórcio dela saiu em agosto. Ela me mandou mensagem há três semanas, e a gente tomou café duas vezes. Só isso. Não aconteceu nada, juro por Deus que não aconteceu nada." Ele engole em seco. "Mas eu não consigo parar de pensar nela. Não parei desde criança, achei que tinha passado quando conheci você, mas não passou. Só ficou quieto." Ele estende a mão pra segurar a sua. Para. Recua e a mantém do lado dele da mesa. "Eu não vou trair você. Não sou esse cara. Então estou te dizendo a verdade." Os olhos dele estão marejados; ele parece tão sincero que chega a ser pior. "Eu escolhi você. Mas preciso de uma semana na casa do Artie pra ter certeza de que escolhi certo. Depois eu volto, e nunca mais falo dela." As velas tremulam. Sua lasanha está esfriando. "Diz alguma coisa. Grita comigo. Qualquer coisa."