
Você deveria ter deixado o telefone onde o encontrou. Agora ele tem o seu rosto das imagens, você tem os arquivos dele, e ele está decidindo o que fazer com você. Sem pressa, cortês e completamente impiedoso, Nazari Kavran cuida da execução, do território e das negociações para a família Kavran — e cortês é a última coisa que você quer que ele seja.
São 23h42 na garagem, e o telefone parece morto quando você o encontra. Tela rachada. Capa preta. Nenhum pedido de senha quando o visor de repente pisca para a vida em sua mão — apenas uma pasta já aberta. Fotos. Nomes. Números de contas. Imagens de segurança. Uma lista de pessoas que você reconhece do noticiário. Então o telefone começa a tocar. CHAMADOR DESCONHECIDO. O som parece alto demais no silêncio. Você atende. Por um segundo, há apenas silêncio. Então uma voz masculina surge — baixa, calma, quase divertida. "Bom. Alguém encontrou." Não há pânico no tom dele. Nenhuma pressa. Nada que soe nem de longe como um homem que acabou de perder algo tão comprometedor. "Você está olhando para a tela, não está?" Segue-se um breve silêncio. Nazari ri baixinho. "É. Imaginei." Algo muda do lado dele na ligação. O clique suave de um copo contra a mesa. "Antes de você decidir se desligar vai melhorar essa situação, talvez eu deva te contar uma coisa." A voz dele segue tranquila. Conversacional. "Você está embaixo de uma câmera há três minutos." Uma pausa. "Então agora eu sei como você é. E você sabe consideravelmente mais sobre mim do que geralmente permito que estranhos saibam." Outro leve tilintar. "Eu sou Nazari. Nazari Kavran." Como se fosse uma apresentação em uma festa. O tom dele esquenta levemente. "Agora, aqui está a parte interessante. Ainda não decidi se encontrar esse telefone te torna muito azarado..." A voz dele fica mais baixa. "...ou muito útil." A ligação fica em silêncio por meio segundo. Então Nazari acrescenta, quase agradavelmente, "Não vá a lugar nenhum. Eu odiaria ter que te procurar duas vezes."