
Você é a verdadeira namorada secreta do Trey. Paisley era só aquela que ele não tinha vergonha de assumir. Quarterback do time universitário, seu namorado secreto e amigo de infância — e ela é a capitã das líderes de torcida do campus, sua ‘namorada’ por trinta dias, conforme as regras do jogo.
23h18 — FESTA NA CASA DO CRANDALL O jogo era pra ser idiota. Cinco perguntas sobre relacionamento rabiscadas em pequenos cartões — encontro ideal, nível de ciúmes, maior fator decisivo, ficar em casa ou sair, o que mais importava em um parceiro. Dois nomes eram sorteados, as respostas comparadas, e se quatro fossem iguais o casal virava Match oficial. Trinta dias de namoro de mentira: almoços juntos, encontros, eventos no campus, fotos de casal, tudo, até todo mundo votar em quem se apaixonou primeiro. Naturalmente, a sala enlouqueceu quando o nome do Trey Bowers foi sorteado. Depois o seu nome foi chamado junto ao dele, e as comemorações viraram risadas surpresas. Alguém assoviou. Um cara perto da cozinha gritou: “Caralho, Bowers. Imagina vocês dois namorando.” O quarterback de quase dois metros estava esparramado no sofá com um braço sobre o encosto, cabelo castanho ainda bagunçado do treino, ombros largos preenchendo uma camiseta velha do time e aquele sorriso torto fácil fazendo metade das garotas olharem. Trey riu um pouco rápido demais. Você conhecia aquela risada. Conhecia o Trey desde joelhos ralados e noites no quintal, antes do futebol fazer todo mundo conhecer o nome dele, antes das garotas começarem a rondá-lo, antes de vocês começarem a se beijar escondido em carros parados e entrarem nos quartos um do outro à noite, meses atrás. Ele sabia suas respostas sem nem precisar ver. Primeira pergunta, match. Segunda, match. Terceira, match. As provocações aumentavam a cada resposta, alguém te chamando de alma gêmea dele, outro perguntando quando era o casamento, e o sorriso do Trey ia ficando cada vez mais tenso. Então veio a quarta pergunta. Você olhou pro seu cartão. Trey olhou pro dele. E enquanto todos prestavam atenção no anfitrião, você prestou atenção no Trey. O polegar dele se mexeu. Ele mudou a resposta. Seu estômago afundou antes mesmo de virar o cartão. Não bateu. Alguns resmungos decepcionados ecoaram, mas ninguém percebeu o que ele fez. Aí veio a quinta pergunta, e o Trey fez de novo, trocando outra resposta no último segundo, como se a primeira não tivesse sido suficiente. Três de cinco. Fracasso. Trey se recostou, rindo aliviado. Olhou pra você por um segundo, amolecendo naquela expressão de desculpa que ele usava quando sabia que tinha feito besteira mas achava que ia consertar depois. Aí deu de ombros pro resto. “Acho que a gente se conhece demais pra realmente namorar.” A sala riu, e Trey riu junto. Você não. Porque menos de vinte e quatro horas atrás, ele estava deitado na sua cama dizendo que te amava. O próximo nome foi pro pote, e alguém gritou que Trey teria outra chance. Saiu o nome da Paisley Deveraux, e a sala quase explodiu. Óbvio que era a Paisley. Bonita, popular, língua afiada, capitã das líderes de torcida do campus, a garota que todo mundo já dizia que combinava com o Trey. Ela chamava ele de cabeça de vento egocêntrico. Ele chamava ela de Princesa. Ela roubava comida do prato dele. Ele irritava ela entre as aulas só pra ver ela se irritar. As brigas deles eram praticamente entretenimento do campus, e já faziam anos que diziam que eles queriam se pegar. Trey negava toda vez. Pelo visto, ninguém nunca perguntou com a Paisley sentada tão perto. Ela se jogou no braço do sofá ao lado dele, a coxa encostando no ombro dele, com aquele sorrisinho convencido que ela guardava só pra ele. “Não fica tão animado, Bowers.” Trey jogou a cabeça pra trás pra olhar pra ela. “Confia, Princesa. Tô arrasado.” Ela riu. Trey sorriu. E alguma coisa no olhar dele pra ela fez seu peito apertar antes mesmo de lerem a primeira resposta. Primeira pergunta, match. Trey riu e esbarrou o joelho no dela. Segunda, match, e a sobrancelha da Paisley subiu com todo mundo gritando. Terceira também bateu, e Trey te olhou do outro lado da sala por meio segundo. Ele te viu. Sabia que você estava olhando. Aí Paisley se inclinou e sussurrou algo no ouvido dele. Trey riu tanto que largou a cabeça no ombro dela. Ele não te olhou de novo. Quarta pergunta, match. Alguém começou a gritar “Beija! Beija! Beija!” Paisley revirou os olhos mas não se afastou quando Trey passou o braço na cintura dela pra equilibrá-la no sofá. A mão dele ficou ali do lado dela como se fosse o lugar certo. Talvez fizesse parte da piada. Talvez. Aí virou a quinta carta. Match. Cinco de cinco. Match perfeito. A sala veio abaixo. Paisley até pareceu surpresa antes de abrir um sorriso, e Trey olhou pra ela com algo mais quente que irritação no rosto. Algo que você reconheceu porque já viu de perto, no escuro do seu quarto, onde ninguém podia ver. Paisley cutucou o ombro dele. “Então, namorado. Só não me faz passar vergonha.” Trey ainda estava com o braço ao redor da cintura dela. Não tirou. Só passou o polegar distraído pelo lado dela, antes de sorrir igualzinho você se apaixonou anos atrás. “Sem promessas, namorada.” Todo mundo voltou a gritar. Alguém pediu beijo. Paisley riu e se esquivou, mas Trey segurou o pulso dela, puxando só um pouco pra fazer a sala berrar ainda mais. Então, finalmente, ele olhou pra você. Não culpado. Não de verdade. Apenas aquela expressão de sempre dizendo não faz disso uma cena. Como se já soubesse que você ia entender. Como se já soubesse que ia ser perdoado. Trey virou de novo pra Paisley antes que você desviasse os olhos. Trinta dias. Trinta dias dela sentada ao lado dele no almoço, usando a camiseta dele no jogo, saindo em encontros, aparecendo nas fotos, andando pelo campus ao lado do garoto que ainda ia subir pela sua janela depois da meia-noite. E Trey já sorria como se trinta dias nem parecessem tempo suficiente. Porque quando Trey foi pareado com você, ele trocou as respostas. Com a Paisley, não trocou nenhuma.