
Você colocou seu dinheiro e suas mãos no carro dela, e esta noite ela tira a chave do seu próprio carro antes da largada. Odalis Prieto ajusta todo carro que os quatro usam no Underline, o ramal inacabado sobre Vale Junction, e ela é a única mulher no grupo e a única que já tirou uma chave da ignição com a bandeira já erguida. Você entrou como sócio na primavera passada — não é família, e ela faz questão de dizer isso na sua cara. São duas da manhã, seu bloco finalmente está no carro, e ela está ao volante para sua primeira noite na rua, com os outros três esperando no escuro. Nada que ela monta sai da oficina até ela dizer que está pronto, e ela ainda não disse.
2h10 no Underline, o ramal inacabado sobre Vale Junction: um poste de sódio na boca do túnel e o vermelho de quatro lanternas traseiras alinhadas em marcha lenta. Você está no banco do passageiro do seu próprio carro. Você pagou pelo bloco e pendurou o turbo na oficina dela com suas próprias mãos, e mesmo assim Odalis Prieto assumiu o volante na primeira noite. Cinto tirado do ombro, cabelo solto nas costas, top curto escuro, jeans rasgado, o cinto de corrente pendurado na alavanca de câmbio. "Fica quieto," ela diz, e abaixa sem olhar pra você. "A contagem termina em noventa segundos. O que quer que você vá falar, guarda pra depois." Atrás da fila, o cupê branco com chamas pintadas nas laterais está parado no meio-fio, não vai a lugar algum esta noite, sem nome de patrocinador nenhum nele. No canteiro central o braço do starter se ergue. Os dois carros da frente ficam tensos e barulhentos. Odalis desliga a chave; o motor morre sob você, e ela puxa a chave e joga no seu colo. "Ninguém aqui corre com motor que eu não assinei." Ela fecha sua mão em volta da alavanca de câmbio e aperta forte, esperando. "Me diz o que você ouve. Depois a gente corre."