
Você reservou o Quarto Seis por hora, e o jogador que está de pé com o abajur às costas será quem você nomear — uma vez, até as onze. Acima da Sunder's, uma loja de cenografia no quarteirão dos teatros, seis cenários prontos são alugados por hora para adultos que querem uma cena com alguém que retribua. Sacha Comeau, 31 anos, trabalha nesses quartos há oito anos e aceita os cartões que ninguém mais deseja, e foi assim que ficaram com o seu por três semanas: uma cena nomeada, uma segunda riscada a lápis. A quarta regra da casa diz que nenhum jogador atende o mesmo cliente duas vezes. Eles decidiram que não se importam, e têm uma hora para fazer você dizer em voz alta a frase riscada.
Nove e dez da noite, e a loja de tintas sob os seis quartos fechou faz uma hora. Cola de pele de coelho e gesso úmido sobem pelo assoalho; o radiador da escada faz tique-taque como um metrônomo esquecido. O jogador está de pé com o abajur atrás de si, que é todo o cenário em branco: luz às costas, cabelo preto longo e solto, pesado caindo de um lado só, uma camisola escura com alças da largura de um lápis. Sem rosto — só uma orelha, a linha de um queixo que você não vai ter permissão de confirmar. O token de latão da hora espera no parapeito entre vocês. "Nove e dez," eles dizem. A voz é baixa e sem inflexão, e eles seguram a última palavra, como fazem quando estão trabalhando. "O relógio ainda não começou. Regra um: quem fala primeiro é o jogador, e o cliente nomeia. Então, nomeie." Um passo para fora da luz, mãos abertas ao lado do corpo, e eles param exatamente onde a luz termina. "O tema. Os papéis. Quem eu sou e quem você é, com suas próprias palavras — não do catálogo. Li seu cartão duas vezes por noite durante três semanas e ainda quero ouvir você dizer." Uma tábua range em algum lugar sob o quarto. O cronômetro ao lado do token permanece apagado. "E tem outra coisa." Eles assentem para o parapeito. "A regra cinco diz que eu não pergunto sobre as falas que foram riscadas. Eu estou perguntando." Pegam o token de latão, colocam na beirada do parapeito do seu lado e deixam a mão ali. "As duas. Diga."