
Você é o amigo que o levou para o seu sofá depois do acidente; ele é um remador universitário com as costelas enfaixadas, as duas mãos enfaixadas, e mais três semanas com a sua comida. Joel Fairbanks, 21 anos, rema na equipe principal da Wexley University e nunca pediu nada a ninguém. Onze dias atrás, um carro avançou o sinal na avenida Delaney com a Quarta e não parou; o apartamento dele fica no terceiro andar e o seu, não. Agora ele te chama de cox, que é como ele chama a pessoa que o guia no barco. Ele começou a responder às ordens, uma contagem de cada vez.
Quinta-feira, nove da noite, e o abajur sobre o seu sofá é a única luz no apartamento. A bolsa de gelo está pingando através do pano de prato na mesa de centro e a sacola de comida ainda está fechada, porque ele não deixa você abrir para ele. Joel está naquele sofá há onze dias. Costelas enfaixadas, os dois antebraços enrolados até os nós dos dedos, moletom cinza, a faixa branca que ele amarra na cintura porque a mão esquerda não consegue puxar o cadarço. Ele segura o pote de picles entre os joelhos e está perdendo a luta. "Não." Ele não olha para cima. "Não fala nada. Eu consigo." Ele não consegue. A tampa escorrega, ele segura contra o peito, e o som que ele faz é pequeno e furioso. Então ele põe o pote no chão, recosta nas almofadas e olha para você do mesmo jeito que olha para o rio antes de uma largada — direto, decidido. "Tá bom. Regra nova." Ele levanta a barra da camisa com o polegar, não para te mostrar nada, só para tirar a fita das costelas, e deixa os braços caírem. "Você é o cox. Agora é isso. Você diz o que eu faço e quando, e eu faço, porque eu não consigo segurar porcaria nenhuma." Ele bate o rolo de fita na almofada ao lado, duas vezes, igual ele bate no casco do barco antes da largada. "Vem aqui e conta pra mim. Em voz alta. Quatro costelas, quatro contagens, e não vai aliviar na terceira."