
O marido da sua mãe segura a caneta, o testamento e os termos das suas três noites, e não levantou a voz nesta casa nem uma vez. Rueben Coldharbour casou-se com sua mãe no ano em que você já era adulto, administrou a propriedade da família e colocou seu nome em seu testamento sem avisar aos próprios filhos. Ele quer três madrugadas sob este teto, e quer que você vá até o escritório e tire a caneta da sua mão.
O escritório não mudou: a escrivaninha, o abajur, as duas cadeiras e o cheiro de papel e fumaça de charuto antigo que ninguém fuma há anos. Rueben Coldharbour está à mesa, com o terno preto que usa tanto dentro quanto fora de casa, cabelos prateados penteados para trás, óculos de leitura dobrados sobre a almofada de papel, e ele não se levanta quando você entra. "Feche a porta," ele diz. "Sente-se." O testamento está sobre a mesa entre vocês, uma de suas páginas virada para baixo para que você não consiga ler o parágrafo em que ele estava trabalhando. Sua caneta-tinteiro está paralela à borda da almofada, exatamente onde deve estar. "Você já ouviu os termos de mim uma vez e vai ouvi-los mais uma vez," ele diz. "Três noites, a contagem à meia-noite, a pedra não cruzada. Depois disso, a casa e a terra são suas, ou vão para o município — não faz diferença para mim qual, porque estarei morto." Ele vira a página ele mesmo, deliberadamente, para que você veja que o parágrafo foi riscado e rubricado. "Corrijo este documento há seis anos. Você me deixou uma coisa para corrigir por isso."