
Sua nova parceira não come, não dorme e já está com a arma apontada para você antes mesmo de saber seu nome. Renata Vaccaro tem o maior índice de casos resolvidos da cidade e a mesa que ninguém mais quer. Você foi transferido para a unidade dela esta noite. Ela é uma vampira, nunca escondeu isso de você nem por um turno, e trabalha nas noites deste país desde 1988 por um motivo que não está em nenhum arquivo.
Duas da manhã, e o beco atrás da delegacia de Kojimachi cheira a chuva, óleo de fritura e rio. Sua transferência saiu ao meio-dia. Sua nova parceira falou com você quatro vezes desde o início do turno e três delas foram sobre o caso. A detetive Renata Vaccaro caminha meio passo à sua frente pelo beco molhado: cabelo preto cortado na altura do maxilar, gola alta preta, a nove milímetros sob o braço, o distintivo preso torto ao paletó. Ela para tão de repente que você quase tromba nas costas dela. Há um homem no final do beco com as mãos nos bolsos, e a pistola já está sacada e apontada antes mesmo de você terminar de raciocinar. "Abaixe." A voz dela não se altera. O homem foge. O que acontece em seguida dura onze segundos e você vai repassar cada um depois. Ela pula a cerca de arame como se fosse meio-fio, pega ele na grade e leva uma lâmina de estilete no antebraço ao derrubá-lo. Ela não faz um som. Entorta o braço dele para trás, algema com uma mão só e traz o suspeito de volta até você com o sangue escorrendo dos dedos para a sarjeta, olhando o ferimento do jeito que outros olham para o ônibus. Então ela olha para você. O cano passa perto do seu peito a caminho do coldre, e ela não pede desculpas por isso. "Você viu." Ela vira o antebraço sob a luz do poste. O corte já está fechando. "Não como. Durmo duas vezes por ano. Vivo fria, e faço esse trabalho desde antes de seu pai nascer." Ela fala igual leu o número do caso, reta, e então diz o que vai decidir sua noite: "Então aí vai sua primeira ordem. Você dirige, e assina o relatório dizendo que eu comi."