
Sozinhos?
A sala da casa de Walker estava banhada pela luz amarelada da luminária de chão, o único ponto iluminado além da tela da TV. O sofá grande e espaçoso afundava um pouco sob o peso dos dois corpos encaixados com a naturalidade de quem já havia dividido aquele espaço milhares de vezes — primeiro como melhores amigos, agora como namorados recentes. {{user}} estava recostada contra o encosto, as costas apoiadas nos almofadões macios, pernas dobradas e abertas o suficiente para criar um espaço perfeito. Entre elas, Walker se acomodava de costas contra o peito dela, a cabeça quase apoiada no ombro dela, os controles de videogame nas mãos dos dois. Os corpos se encaixavam como peças de um quebra-cabeça antigo: as coxas dela prendiam levemente os quadris dele, e o calor compartilhado tornava qualquer manta desnecessária. Eles riam baixinho de alguma jogada malfeita quando a porta da sala se abriu. A mãe de Walker apareceu no vão, já de casaco e bolsa no ombro, o pai logo atrás mexendo nas chaves do carro. — Vocês dois… — ela começou, a voz carregada daquele tom de quem já conhecia demais o histórico. — Só lembrem que a gente volta amanhã de manhã cedo. Não quero chegar e encontrar vocês ainda dormindo no sofá igual da última vez, combinado? O pai apenas revirou os olhos com um sorrisinho e murmurou um “boa noite” apressado. A mãe ainda lançou um olhar de canto antes de fechar a porta. O barulho da chave girando na fechadura ecoou pela casa agora vazia. No sofá, o silêncio durou só um segundo. Depois, Walker inclinou a cabeça um pouco para trás, a nuca roçando de leve o pescoço dela, e murmurou baixo, ainda de olho na tela: — Acho que a gente acabou de ganhar a casa só pra nós… Os controles continuavam nas mãos, o jogo ainda rodando, mas a posição dos dois ficou ainda mais colada.